Em declarações ao Expresso, o director geral do Turismo de Lisboa, Vítor Costa, revelava ser importante melhorar, quanto antes, a oferta aérea da capital. Falou-se na criação de uma base “low cost”. A concorrência de cidades como Madrid e Barcelona, a descida de procura em hotéis de segmento superior são alguns dos factores que levam a ATL exijir a tomada de decisões sobre as companhias aéreas “baixo custo” em Lisboa. Realizamos uma pequena entrevista a Vítor Costa para esclarecer a posição tomada.
A prioridade do Turismo de Lisboa neste ano é o transporte aéreo, como dizia o Expresso na edição transacta? Que condicionantes exigem este “cavalo-de-batalha”?
Tendo em conta a localização periférica de Lisboa, a acessibilidade aérea é uma questão decisiva para o Turismo. Por isso, o nosso Plano Estratégico 2007-2010, o TLx10, considerou essa questão fundamental. Não se trata, pois, de uma prioridade para este ano, mas de uma questão estratégica.
Acresce que, comparando com as cidades europeias que connosco concorrem, Lisboa é um destino considerado bastante competitivo em termos da sua qualidade e preços dos serviços, em particular da hotelaria, mas cujo transporte aéreo é mais caro. De acordo com um estudo por nós promovido há alguns anos, o custo do transporte aéreo é mais caro cerca de 27% para Lisboa, comparando situações idênticas. Ou seja, tem sido a hotelaria a suportar o preço da nossa competitividade, à custa da sua menor rentabilidade.
A actual crise veio acentuar esta tendência, na medida em que a nossa hotelaria tem esmagado preços, até ao limite, em particular no segmento superior. Actualmente não há mais margem para diminuir os preços da hotelaria.
Como os consumidores vão exigir a mesma qualidade por menos dinheiro, teremos que actuar noutras componentes do preço do destino, em particular na questão do transporte aéreo. Por isso esta questão assumiu uma particular acuidade no momento actual.
Na sua opinião, quais os factores que tardam em trazer para Lisboa a Ryanair, ou mesmo a promover uma base easyJet e/ou Ryanair?
Penso que se trata sobretudo de uma questão de prioridades. Em nossa opinião, a primeira prioridade do Aeroporto de Lisboa deve ser o Turismo porque o sucesso do Turismo traz clientes para o Aeroporto, mas também para os hotéis, restaurantes, comércio, animação, equipamentos, etc.
Se a prioridade for apenas a infra-estrutura aeroportuária e outros interesses muito particulares não é preciso ter turistas, basta ter passageiros. Os passageiros, mesmo que só passem uma ou duas horas no Aeroporto, pagam taxas, bilhetes de avião e consomem no aeroporto. O resto da economia regional fica a ver os aviões passarem.
Portanto, para ter uma base de uma ou mais companhias Low Cost e para ter rotas da Ryanair, tal como outras cidades europeias concorrentes ou como outros destinos nacionais, é preciso ter vontade política e criar as necessárias condições técnicas e operacionais e fazer os necessários investimentos.
Nós sabemos que há interesse e queremos contribuir para que isso seja uma realidade, mas não o podemos fazer sozinhos.
Dou o exemplo do Terminal 2. É preciso decidir sobre o seu futuro. Em nossa opinião deve ser completado para poder funcionar em pleno com autonomia e ser vocacionado para as Low Cost, com um serviço menos sofisticado e, consequentemente, com taxas diferenciadas.
Um “hub” de uma companhia “low cost” é a única solução a curto médio prazo para o Turismo de Lisboa? A TAP ou operadores que estão a crescer, por exempo a Lufthansa, não fazem parte da solução?
Não há soluções únicas ou milagrosas. O sucesso depende de um mix de soluções, incluindo as companhias tradicionais, em especial a TAP, e as companhias Low Cost. Não se pode é subordinar a estratégia aeroportuária apenas a uma destas componentes.
As Canárias desceram as taxas aeroportuárias para custo zero e com isso fomentaram o turismo neste Inverno. Teremos de baixar as taxas nos aeroportos portugueses para estimular as operações aéreas?
Não advogamos modelos de subsidiação do Turismo. Se alguns modelos dessa actividade económica não forem viáveis não devem ser artificialmente subsidiados.
Mas defendemos que se criem condições para o adequado estímulo à actividade. No caso das taxas, o nível das praticadas na Portela é semelhante a outros aeroportos europeus, mas é 50% mais caro que a nossa concorrência directa espanhola – Madrid e Barcelona – o que constitui um factor desfavorável para nós.
Por outro lado, também sabemos que o grau de exigência do serviço das Low Cost é menor, pelo que deveriam existir taxas diferenciadas em função do tipo de serviço prestado pelo Aeroporto.
Quais as rotas aéreas que poderiam ser melhoradas em Lisboa? Que outras fazem falta anunciar?
O nosso principal objectivo é que existam ligações aéreas competitivas aos principais mercados emissores europeus, que são os nossos principais fornecedores de turismo.
Paralelamente, pugnamos pelo reforço de ligações de longo curso, especialmente dos EUA, já que o Brasil está bem coberto pela TAP, e de mercados longínquos.
Faz sentido retomarmos o debate Portela + 1? Um “hub” low cost no Montijo seria a solução a médio prazo para o Turismo de Lisboa?
Não creio que esse debate faça sentido no actual momento. Tudo isso já foi debatido oportunamente, embora a actual crise possa ter alterado alguns pressupostos.
Há muitos anos que a ATL tem dito que a deslocalização do Aeroporto pode ter consequências para o nosso Turismo e que, a concretizar-se tal deslocalização, devem ser garantidos determinados pressupostos para que as consequências negativas não se verifiquem e novas oportunidades sejam aproveitadas.
Neste momento estamos mais concentrados, por exemplo, em garantir que a Portela responda adequadamente nos próximos dez anos e em aproveitar devidamente as oportunidades excepcionais criadas para o Turismo com o projecto do TGV, que esperemos se concretize sem sobressaltos.
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A entrevista pareceu-me que deveria ter sido mais bem preparada, mas alguns dos comentários deste senhor surpreenderam-me!
Começa bem com “a localização periférica de Lisboa, a acessibilidade aérea é uma questão decisiva para o Turismo”
A Madeira ou o Algarve são bem mais periféricos e não é por isso que o turismo se ressentiu mais/menos do que em LX, mas porque se está a atravessar uma época de recessão/estagnação económica.
“Lisboa é um destino considerado bastante competitivo em termos da sua qualidade e preços dos serviços, em particular da hotelaria, mas cujo transporte aéreo é mais caro”
Está a falar das LC também? A hotelaria deveria também assimilar o conceito LC, isso sim. Turistas virem de um qualquer destino europeu pagando uns €100, pagar por noite num hotel*** entre €60 a €100 e vem dizer que as viagens aéreas é que são caras???
“tem sido a hotelaria a suportar o preço” LOL!!
Aprendam com as LC, sff
“Turismo traz clientes para o Aeroporto, mas também para os hotéis, restaurantes, comércio, animação, equipamentos, etc”
Desta vez acertado.
Em quando exatamente as LC contribuem? Gostaria de ter dados concretos, mas aposto que os estrangeiros vindos em LC seja <50% do total de pax transportados (Easy, Rya, etc).
“Não advogamos modelos de subsidiação do Turismo.”
Curioso depois de referir que o transporte aéreo é caro.
“…o grau de exigência do serviço das Low Cost é menor”
Bem, no caso de LX até é ao contrário! A Portway (que é da ANA) faz tripas-coração para despachar os EasyJ dentro duma janela de tempo (cerca 20min rotação) porque senão é penalizada! Não é de estranhar ver LC em mangas no aeroporto de LX, quando supostamente seriam evitáveis por ser muito mais caro que pôr os pax num avião no meio da pista.
Todos acham que viajar de avião é caro, mais caro Km/custo é o comboio (Alfa LIS-OPO €28.50 a €40.50!!!!!!!), mais caro é bus, mais caro é taxi. Mas parecemos todos alegres com os preços destes… enfim.
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