A Confederação do Turismo Português (CTP) tem alertado para a necessidade de se investir mais em aviação de baixo custo. A sua direcção propõe-se, no novo mandato, contribuir para a melhoria das acessibilidades de transporte aéreo e TGV.
O LowCostPortugal retoma a sua área de entrevistas tendo por interlocutor o presidente da CTP, José Carlos Pinto Coelho. Leia de em seguida a primeira parte da conversa.
1. O novo mandato da direcção da CTP aposta no fomento das acessibilidades. A actual estratégia da mobilidade do turismo português está “atrasada” relativamente a outros países?
Os vários meios de transporte são essenciais ao Turismo. Efectivamente, a qualidade e o preço das acessibilidades determina de forma decisiva a competitividade dos destinos turísticos portugueses. Importa assim que as estratégias definidas para os transportes e acessibilidades considerem as especificidades da procura turística internacional, sobretudo devido à periferia de Portugal face aos seus principais mercados emissores europeus. A concorrência entre destinos aumenta todas as épocas de forma inexorável e eventuais “atrasos” na concretização de novos projectos de acessibilidades determinam um maior ou menor crescimento deste sector estratégico da economia portuguesa.
2. TGV e aviação low cost são o presente e futuro do transporte europeu?
O transporte ferroviário de alta velocidade e a aviação low cost são modelos de negócio perfeitamente consolidados na Europa Ocidental, tendo tido ampla aceitação por parte dos consumidores, muitos dos quais turistas. O seu crescimento é uma evidência e Portugal não pode deixar de acompanhar as mais recentes tendências do mercado de transportes, sob pena de gradual perda de competitividade e atractividade.
Assim, embora a CTP compreenda bem a actual conjuntura e as dificuldades económicas que atravessamos, não pode deixar de salientar que a alta velocidade e a adaptação das infra-estruturas aeroportuárias ás novas realidades é determinante para o sucesso e competitividade do nosso país como destino turístico.
É hoje fácil constatar a importante alteração registada nos fluxos turísticos para destinos como o Algarve, a Madeira e o Porto/Norte resultante da introdução e do crescimento de novas rotas low cost. Pelo referido a minha resposta à sua pergunta não pode deixar de ser afirmativa.
3. Em semanas recentes, a questão da aviação low cost tem motivado comentários. Belmiro de Azevedo ou mesmo Miguel Sousa Tavares focam-se na rentabilização da Portela e perguntam por aeroportos low cost. A CTP poderá ser a entidade a criar um consenso sobre este tema?
A CTP está naturalmente disponível para colaborar com todos os stakeholders do Turismo no aprofundamento duma reflexão sobre o futuro do actual aeroporto da Portela e a eventual afectação desta (e outras) infra-estruturas aeroportuárias de forma exclusiva ao modelo de negócio low cost, sob a perspectiva da defesa dos interesses do sector turístico nacional.
4. Porto tem mais de 40% de tráfego low cost, Faro cerca de 80% e Lisboa 13%. O que falta a ao aeroporto da Portela para ter mais e melhor oferta low cost?
O funcionamento dos mercados não permitiu ainda que pelo menos uma companhia aérea low cost tenha a sua base em Lisboa. Importa entender quais são os eventuais obstáculos a uma maior penetração das low cost na Portela e procurar criar as condições adequadas a um reforço gradual da sua quota de mercado. Uma das medidas que a CTP tem vindo a defender é a afectação exclusiva do actual Terminal 2 do aeroporto de Lisboa àquelas companhias.
5. Como pode a CTP contribuir para a entrada, por exemplo, da Ryanair em Lisboa?
A CTP está disponível para agilizar a entrada de novas companhias aéreas low cost em Lisboa, designadamente no que respeita ao diagnóstico dos eventuais constrangimentos actuais e na proposta de soluções concretas aos dois Ministérios que tutelam actualmente o Turismo e os Transportes.
Fim da primeira parte da entrevista.
Sérgio Bastos, Abril 14th, 2010, Etiquetas:ctp, josé carlos pinto coelho, Lisboa, low cost, Portugal, Turismo2leep.com
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