O vice-presidente da Ryanair, Michael Cawley, reiterou o interesse da companhia low cost em voar em Lisboa. Questionado pela Lusa sobre se estava nos planos da companhia voar para Beja, referiu não ser um destino atrativo. “Beja é muito longe de Lisboa [e por isso] não interessa à Ryanair. Não existe nada além do aeroporto”.

Foi ainda mais acutilante na entrevista dada à Lusa, ao dizer que a infraestrutura “não deveria ter sido construída”. Erigida a pensar em voos low cost, de lazer ou mesmo de negócios, o aeroporto tem tido dificuldade em cativar companhias aéreas. Sem atrativos económicos, turísticos ou de outra índole, e sem acessibilidades promovidas para regiões de maior dimensão populacional, o aeroporto tarda em garantir interesse da aviação comercial.

O diretor do aeroporto e autoridades regionais reagiram às palavras de Michael Cawley em tom crítico e pró-ativo.

“Tinha muito prazer que o senhor Michael Cawley visitasse o aeroporto e tivesse um encontro comigo para lhe explicar, de viva voz, o que estamos a fazer, quais são as nossas perspectivas de desenvolvimento e de que forma é que um dia poderemos ou não encontrar formas de cooperação”, disse à Lusa o director do aeroporto, Pedro Beja Neves. Acrescentou também que as opiniões expressas pelo responsável da Ryanair “revelam algum desconhecimento” sobre o projeto e infreaestrutura.

O presidente da Câmara de Beja, Jorge Pulido Valente, afirmou “a ideia da Ryanair é desvalorizar o aeroporto de Beja, porque quer operar a partir de Lisboa, que é o bolo mais apetitoso. [Estas afirmações] fazem parte da estratégia de negociação relativamente ao interesse prioritário no aeroporto de Lisboa”. Esclareceu ainda que em reunião tida em julho de 2011 em Dublin, a companhia disse que o aeroporto de Beja “tinha um grande potencial”.

A notícia avançada ontem pelo LCP de que a Richard Branson estaria interessado em criar uma base em Beja é pura fição de 1 de abril.