A apresentação da base de Lisboa , que decorreu hoje de manhã no ministério da economia, contou com a presença do secretário de Estado das Obras Públicas, Sérgio Monteiro, da secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles e do director da easyJet para Portugal e Espanha, Javier Gándara. Entrevistamos o representante da companhia low cost, no sentido de esclarecer alguns tópicos que ficaram em aberto.

Para além das cinco rotas a estrear em abril 2012, a easyJet vai proceder ao aumento de frequências nas 16 existentes?
Inicialmente o nosso objectivo será montar a base e criar as melhores condições para as novas ligações. Estamos sempre a avaliar a possibilidade de aumentar as frequências existentes, especialmente as de negócios. Para já não está planeado um aumento de movimentos mas, quando arrancar a base, esse passa a ser um dos nossos objectivos.

As 15 rotas adicionais serão implementadas gradualmente até 2015?
Não há datas definidas para a introdução. O plano é estrear cinco rotas e, com tempo e performance da base, avaliar os melhores destinos a apresentar a seguir. O nosso objectivo global passa por, em três anos, ter as 15 rotas adicionadas.

As ligações para Açores, Porto e Faro estavam entre as mais desejadas. Aumentar as ligações domésticas é uma meta futura?
A easyJet opera em 130 aeroportos e estamos sempre a estudar a possibilidades de ligarmos pontos da nossa rede aérea. Quando anunciamos uma nova rota temos de ter a certeza de que esta é mais rentável do que as já existentes. Em Portugal temos, por agora, a rota doméstica Lisboa – Funchal que podemos vir a melhorar as frequências. De momento, o nosso foco passa por ligar Lisboa a outras capitais e grandes cidades europeias, mas a eventualidade de aumentar o tráfego doméstico não está descartada.

A easyJet espera transportar 4 milhões de passageiros anuais em Portugal. Já em 2012?
Sim, esperamos que seja no próximo ano pois, no actual, estamos numa média de 3.6 milhões de passageiros para Portugal. Com os 225 mil passageiros estimados pela inclusão das cinco rotas esperamos chegar perto ou aos 4 milhões de pessoas transportadas.

Com este crescimento de tráfego, Portugal poderá passar a ter um director dedicado em vez de um Ibérico?
A estrutura não depende do volume dos passageiros transportados. Como Portugal é cada vez um mais mercado importante, pretendemos contratar um director comercial fluente em português. Ficará sediado em Lisboa.

Serão recrutados 100 novos colaboradores. Onde serão formados?
As pessoas contratadas serão sempre formadas nos nossos centros do Reino Unido. Como em todos os países, os colaboradores vão ter contratos e vão pagar impostos locais. É uma forma de mostrarmos o nosso compromisso com o país. Serão recrutados já este ano, e iniciarão de imediato um curso intensivo.

Há pessoal de bordo português a trabalhar em bases estrangeiras, interessados em ingressar em Lisboa?
Sim.
Damos sempre prioridade de mudança aos nossos colaboradores. transmitimos as condições dos contratos da base de Lisboa à nossa rede. Os portugueses interessados em vir para Lisboa vão estar no topo da lista de pessoal a fazer parte da base.

O handling continuará a ser operado pela Portway?
Trabalhamos com a Portway, mas estamos atentos ao futuro da Groundforce. Não descartamos nenhum cenário, queremos ter o serviço mais eficiente e competitivo em Lisboa.

Lisboa era um destino pedido pelos aeroportos das Astúrias, Copenhaga, Amesterdão, Bordéus e Veneza?
O interesse existia nos dois sentidos. Para além de avaliarmos o interesse dos aeroportos, estamos sempre em contacto com Câmaras do Comércio de cada cidade para termos uma noção dos destinos que podem melhor servir o local.

Em quatro das cinco rotas, excepto Astúrias, a easyJet estará em competição directa com a TAP. Esperam promover um preço mais competitivo?
Para a easyJet, a concorrência é salutar e não é um factor de preocupação. Acreditamos que o passageiro passa a beneficiar com uma companhia que promove um preço mais barato. Sabemos por experiência que, quando entramos numa rota com pouca oferta, a procura expande e o mercado cresce beneficiando os vários intervenientes.

A easyJet tem preferência por um dos aeroportos falados como solução Portela +1? Alverca, Sintra ou Montijo.
É um processo muito complicado. Comprometemo-nos a colaborar com o Governo, pois  temos larga experiência ao voarmos em 130 aeroportos.  Seria, para já, prematuro definir qualquer preferência. Temos 2 milhões de passageiros na Portela e a transferência pode ter muitas implicações.

Em Lisboa vão ter dois Airbus A319. Poderemos ver aviões de outros modelos?
Temos uma frota já só quase exclusiva de Airbus. Procuramos ter uma média de 75% de modelo A319 e 25% de A320. Estes últimos, utilizamo-los em aeroportos com maior volume de transporte de passageiros e de rotas de longas distâncias. São os casos da Jordânia e Egipto. Não descartamos ter A320 em Lisboa no futuro.