Na segunda parte da entrevista ao presidente da Confederação do Turismo Português (CTP), José Carlos Pinto Coelho, retomamos o tema das acessibilidades low cost. As taxas aeroportuárias, os apoios financeiros, a dependência do turismo por este tipo de companhias, e a sugestão de novos aeroportos no país são os temas em cima da mesa.
1. Recentemente os presidentes do Turismo do Centro, do Oeste e de Leiria-Fátima, afirmaram a vontade da região centro ter um aeroporto (low cost). A CTP apoiará este antigo desejo? De que forma?
Apesar da legitimidade das pretensões das várias regiões do País sobre a necessidade de infra-estruturas aeroportuárias, e do impacte que as mesmas poderiam ter no desenvolvimento das respectivas regiões, a verdade é que não podemos perder de vista os investimentos que tais infra-estruturas envolvem e a situação de crise económica que atravessamos. De qualquer modo, a dimensão do país e a força de atracção exercida pelo desenvolvimento dos três pólos de desenvolvimento que defendemos, Porto, Lisboa e Algarve, não podem deixar de beneficiar de maneira muito significativa as regiões circundantes que, necessariamente, ficam abrangidas pelo alargamento do centro de atracção dos mencionados pólos.
2. Que medidas poderá por em prática no mandato para aumentar o transporte aéreo low cost no país? De que forma podem estas companhias promover o nosso turismo?
Não compete à CTP tomar medidas para aumentar o transporte aéreo low cost no país. Antes, como associação cúpula do sector do Turismo, deve propor às entidades competentes a adopção das medidas que forem consideradas as mais adequadas para o efeito, promovendo, isso sim, o debate sobre o que considera as vantagens que o transporte aéreo low cost traz para o sector do turismo e para a competitividade da marca Portugal como destino.
Mais, importa determinar com rigor os impactes económicos já verificados no turismo pelo facto de Portugal ter captado nos últimos anos diversas companhias aéreas low cost. A CTP está disponível para colaborar na realização dessa avaliação e espera que desse estudo resultem propostas concretas de captação de novas companhias e de apoio ao desenvolvimento de novas rotas.
3. A CTP aprovará o subsídio de companhias low cost como forma de fomento de rotas?
Considerando a importância das companhias aéreas low cost para o turismo nacional, nas vertentes lazer e negócios, a CTP concorda com o apoio financeiro ao arranque das suas operações nos aeroportos nacionais e à abertura de novas rotas.
4. Faro e Porto têm bases da Ryanair. Não teme que o turismo nacional fique excessivamente dependente das companhias aéreas de baixo custo?
Não consideramos que o reforço da quota de mercado das companhias aéreas de baixo custo nos aeroportos portugueses possa criar excessiva dependência ao turismo nacional. Na verdade, sendo a competitividade internacional e a atractividade dos nossos principais destinos turísticos forte, são as próprias companhias aéreas de baixo custo que, pressionadas pela procura turística dos consumidores finais nos vários mercados emissores, não podem deixar de voar para Portugal sob pena de perder quota de mercado. Estamos certos que as companhias que já têm operações em Portugal reconhecem a importância das rotas para o nosso país na sua oferta de destinos turísticos e que estão permanentemente atentas a todas as oportunidades de crescimento do seu negócio.
5. É verdade que as taxas aeroportuárias de Lisboa chegam a ser 5 vezes superiores às de Madrid? Que medidas se podem pôr em marcha para a sua redução, sem descurar o futuro/presente da ANA?
As taxas aeroportuárias são, sobretudo no caso das companhias aéreas de baixo custo uma parte importante da formação do preço total da viagem pago pelo turista, determinando portanto uma maior ou menor competitividade relativa dos nossos destinos turísticos face à concorrência directa, nomeadamente espanhola. Nessa medida, impõe-se muita prudência na sua determinação, pois os impactos sobre a economia do turismo são muito directos e importantes. Advogamos há algum tempo que as taxas aeroportuárias sofram uma redução significativa pelas razões citadas.
Sérgio Bastos, Abril 15th, 2010, Etiquetas:ctp, josé carlos pinto coelho, low cost, Portugal, Turismo
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Pedro Leite
15 Abril 2010 at 11:08
Ryanair e Brussels Airlines voam mais baixo
A justiça belga condenou a Ryanair e a Brussels Airlines a alterar as condições gerais dos seus contratos e sítios na Net, por considerar que continham cláusulas abusivas.
http://www.deco.proteste.pt/turismo/ryanair-e-brussels-airlines-voam-mais-baixo-s596671.htm
Pedro
15 Abril 2010 at 21:42
Fugiu à questão daquela afirmação que fez há dias quando disse que o valor das taxas aeroportuárias em Lisboa serem 5 vezes superiores às de Madrid
António
16 Junho 2010 at 15:50
As melhoras rápidas