O desenvolvimento económico, turístico e a aviação comercial baixo custo têm uma relação próxima na região norte de Portugal. O investimento de companhias deste segmento no aeroporto Francisco Sá Carneiro tem aumentado os valores de tráfego e conduzido à alterações. Actualmente, as regulares repartem com as low cost o total de passageiros na cidade invicta.
Entrevistámos o presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, no intuito de perceber a influência actual do tráfego low cost na região turística. Leia de em seguida a primeira parte da conversa.
O tráfego do aeroporto do Porto tem crescido acima dos dois dígitos, exceptuando o mês complicado de Abril 2010. O crescimento é reflexo do início da base Ryanair?
Melchior Moreira - Considerando que a base Ryanair compreende, actualmente, 24 destinos esta realidade reflecte-se claramente no crescimento do tráfego do aeroporto do Porto, tendo em atenção que a Ryanair é a companhia que mais se destaca em termos de aumento de passageiros.
Enquanto principais responsáveis da promoção da região, consideramos que os resultados que temos de crescimento se devem, também, ao Aeroporto Sá Carneiro que se apresenta como um parceiro estratégico e uma alavanca fundamental da procura turística.
As 55 rotas que temos entre companhias de bandeira e low cost constituem um impulso fundamental em termos de desempenho turístico do Porto e Norte de Portugal.
Em que medida é que as outras componentes do turismo se têm adaptado à oferta de voos mais baratos?
MM - A oferta disponível vai, naturalmente, adaptando-se às tendências do mercado, especificamente, aos turistas que procuram um serviço mais acessível, prático e simplificado.
O Porto e Norte de Portugal detém já unidades de alojamento que respondem às necessidades dos diferentes visitantes que nos procuram, seja através de uma estada mais económica ou de uma oferta de produtos e serviços mais abrangente. Precisamente porque voos mais baratos não significam, necessariamente, turismo low cost e a nossa oferta revela que somos atractivos para diferentes públicos.
A cidade do Porto corresponde cada vez mais ao estigma europeu de “segunda cidade”, com a junção da arquitectura moderna com o centro histórico, estilo de vida urbano, população pouco numerosa e hospitaleira, pólo efervescente de arte e cultura, segura, etc. Por esse motivo têm surgido hostels, mas também hotéis de luxo, hotéis de design, entre outros.
A restante região Norte tem na sua riqueza natural e diversidade paisagística e monumental um grande trunfo que tem sido aproveitado pelos agentes económicos. É nosso objectivo fazer do Norte de Portugal o primeiro destino wellness do país e o mercado tem evoluído nesse sentido.
Enquanto Entidade Regional temos, também, feito um esforço para apoiar e promover as iniciativas culturais locais que traduzem a essência e carácter do Norte e das suas gentes, permitindo aos turistas viverem uma experiência única e autêntica.
A rota Faro – Porto da Ryanair é um sucesso? É responsável por “escapadinhas” ao Norte do país de turistas que voam para o Algarve?
MM - O Algarve é tido como um destino de média/longa estadia para os nortenhos, enquanto a região Norte é forte no segmento “mini-férias”. Pela duração da viagem terrestre, era pouco viável para os habitantes do Sul do país visitarem-nos neste regime. A ligação doméstica Faro-Porto criou, sobretudo, novas possibilidades para o turismo interno entre os dois pólos geográficos de Portugal continental.
O último estudo trimestral “Perfil do turista que visita o Porto e Norte de Portugal” aponta para uma mudança de mentalidades de quem visita a região. As low cost recolhem mais preferência. Esta alteração também se reflecte nas receitas turísticas da região Porto e Norte?
MM - No âmbito do Estudo do Perfil do Turista que desenvolvemos em parceria com o IPDT e o Aeroporto Sá carneiro, consideramos que os resultados constituem uma acrescida responsabilidade na consolidação da excelência e qualidade que nos propusemos conferir ao Porto e Norte de Portugal.
Sabe-se hoje que não existe um “turista-tipo” a viajar em companhias low cost. Tanto viajam “bag packers” como famílias nestes voos, sendo que no primeiro caso a filosofia é uma experiência de viagem global de baixo custo e no segundo caso é apenas uma forma de viajar rápida e económica, permitindo uma estada mais desafogada, por exemplo.
De facto, as companhias de baixo custo estão no topo das preferências, mas esta realidade não se reflecte, globalmente, nas receitas turísticas da região. Como referem os dados do INE, os proveitos do Norte têm crescido, ao contrário da tendência quase generalizada. Em Abril, por exemplo, a subida foi de 14%, entre as positivas foi a única de dois dígitos. Somos a única região a crescer no número de dormidas há onze meses consecutivos e com variações bastante positivas nos restantes indicadores.
Sérgio Bastos, Julho 12th, 2010, Etiquetas:aeroporto francisco sá carneiro, ana, easyjet, Entrevistas, low cost, melchior moreira, norte, Porto, ryanair, Turismo2leep.com
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rui
12 Julho 2010 at 20:42
A rota Faro-Porto tem sido, de facto, um sucesso. depois de LFs iniciais tremidos em Março, quando aumentou para 11 voos/semana, o load factor atinge agora 95% durante toda a semana, com alguns voos (sextas. sábados e domingos) completamente esgotados!